30/05/2011

Sonhando um sono bonito

anda me faltando o ar
e me sobrando o grito
um bafo choroso me
esquenta e me derrama
– graças ao vento frio –
um arrepio longilíneo
não respondo a nada
que não seja só impulso
nervoso...
não me mexo, só chovo.
-

sequei aqui mesmo
depois de uns minutos
(ou dias?)
levantei ainda fria...
uma mensagem da lua
fina, um sorriso do
gato torto, um cobertor,
um gesto redentor
uns passos fracos...
estendida em longo cansaço
-

aquela coisa de fim do
mês, aquela história de
História cíclica, aquela
vista embaçada de sempre
aquele desencontro insistente

(dormi por baixo de um pano
vermelho e quente, cintilei feito
pedra bonita em mina e sonhei
com uma primavera toooda florida)

cheguei hoje emburrada ao mesmo
lugar de sempre mas avistei a roseira
podada (ajeitada não pelada) e
pintando-se em botões gorduchos...
a chuva levou embora o susto.
***