eu esqueci.
esqueci pra sempre
esqueci as coisas todas pra trás
como se esquecem as mentiras
perdi a conta dos dias
perdi o dia da feira
perdi a saída da estrada
eu esqueci
o mundo n’algum canto
eu esqueci do que é feito o pranto
esqueci de abrir a porta e depois
esqueci a mesma porta escancarada
eu demorei a vida, pela própria vida
pra passar despercebido...
não sigam o que eu digo
não me dêem ouvidos, braços, bocas partidas em grito
me esqueçam todos (que eu tenho a todos em mim só porque esquecidos)
...
– Eu esqueço o cigarro aceso e furo a camiseta
– Eu esqueço as chaves, o casaco, os brincos no banco de trás...
– Eu lembro dela que é pra não esquecer de mim.
– Eu esqueço as estrelas pra lá e não volto nunca atrás.
– Eu pisco, a todo momento, que é pra não me esquecerem.
– Eu esqueço de mim pela poesia assimilada
– Eu não lembro nem de esquecer, é outra coisa o viver
– Eu esqueço de dizer e digo
que esqueci por não ouvir
– Eu esqueço por esquecer...
***
www.youtube.com/watch?v=GjHbnPPyhR4&feature=related
29/08/2011
25/08/2011
lugar um
eu moro dentro de uma caixa florida
com uma janela que dá para cima
e o vento já não pede licença
para entrar – tanto acaricia
quanto esburaca
eu tô uns degraus pra lá dessa realidade
e acho que arde menos sentir saudade
se tivesse uma varinha pintaria agora um
balanço e apagaria as luzes dos postes
mas tenho que recuperar a trajetória...
eu moro dentro de uma caixa florida que vive
com uma das abas aberta e sou repleta de envelopes
e insetos – os que voam, voam e os que rastejam
são invisíveis
cruzo com uma caixa de lápis de cor
e estamos alojadas numa encruzilhada –
para a direita meu eu-ascendente à vida
do lado esquerdo a voz exasperada da morte,
a minha sorte vai escrita e adivinhada ao dia seguinte
a frente o silêncio
se viro de costas
ecos mais ensurdecedores
que os barulhos –
ali pingam amores e estouram
gotas d’água fresca e cheirosa
mais ali,
.
.
.
dentro do espelho
paixões roxas e beterrabas amarradas
e porque são quatro as linhas da estrada
perco o dia aqui mesmo, nesse ir e vir
de gente bamba, meio acreditando no que
diz a frente, meio suspirando relances
um pouco enfiando agulhas finas
nas doenças do mundo, um pouco
lambendo feridas profundas
eu moro numa encruzilhada colorida
aqui o frio é quente e a boca florida
e não se duvida nem da verdade nem da mentira
ninguém me empurra para trás
porque é meu
o buraco
e só
(...)
***
com uma janela que dá para cima
e o vento já não pede licença
para entrar – tanto acaricia
quanto esburaca
eu tô uns degraus pra lá dessa realidade
e acho que arde menos sentir saudade
se tivesse uma varinha pintaria agora um
balanço e apagaria as luzes dos postes
mas tenho que recuperar a trajetória...
eu moro dentro de uma caixa florida que vive
com uma das abas aberta e sou repleta de envelopes
e insetos – os que voam, voam e os que rastejam
são invisíveis
cruzo com uma caixa de lápis de cor
e estamos alojadas numa encruzilhada –
para a direita meu eu-ascendente à vida
do lado esquerdo a voz exasperada da morte,
a minha sorte vai escrita e adivinhada ao dia seguinte
a frente o silêncio
se viro de costas
ecos mais ensurdecedores
que os barulhos –
ali pingam amores e estouram
gotas d’água fresca e cheirosa
mais ali,
.
.
.
dentro do espelho
paixões roxas e beterrabas amarradas
e porque são quatro as linhas da estrada
perco o dia aqui mesmo, nesse ir e vir
de gente bamba, meio acreditando no que
diz a frente, meio suspirando relances
um pouco enfiando agulhas finas
nas doenças do mundo, um pouco
lambendo feridas profundas
eu moro numa encruzilhada colorida
aqui o frio é quente e a boca florida
e não se duvida nem da verdade nem da mentira
ninguém me empurra para trás
porque é meu
o buraco
e só
(...)
***
19/08/2011
sete versos mais um
(já) acho graça de vocês
aí invisíveis e em-pilhados
me espalhando arrepio em ondas
me afetando sei lá de onde sei lá de quando
sei lá porque o tempo não cansa da gente
ao me ver ensacar nuvens para viagem
malabarista de pratos fantasmas
bamba em foco lunar - Lá
***
ler sem respirar.
aí invisíveis e em-pilhados
me espalhando arrepio em ondas
me afetando sei lá de onde sei lá de quando
sei lá porque o tempo não cansa da gente
ao me ver ensacar nuvens para viagem
malabarista de pratos fantasmas
bamba em foco lunar - Lá
***
ler sem respirar.
15/08/2011
de dentro pra fora
muda de árvore repousada
em pedra, natureza em rio manso...
com borboletas me indagando
***
em pedra, natureza em rio manso...
com borboletas me indagando
***
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