28/11/2011

tempo qual?

Manga que cansa de dar pano
Inspira o tempo e expira fome

Sem nome
Sem cheiro
Sem qualquer cor de corpo, Fome.

De andança e laranja
Fome de não querer entender
De dar o braço a torcer ao vento
Deixar que ele torne as coisas Íntimas...

Existe aqui – e por isso ali
e acolá – um dilaceramento
Invisível, uma fresta
Que liga isso, àquilo
Num caminho certeiro
Traçado às cegas



Instante sem tempo



mini-minutos são
no fundo do buraco
o mesmo que horas largas
***

26/11/2011

perfil (fotopoema - roteiro coreográfico)

Menina sentada.
Sopra com a boca um vento fino desenhando o perfil do Amor no ar:

- fantástico perfil.

- que perfil? tem perfil o Amor?

Depois de riscado o quadro ela beija o Amor indefinido, lambe ele, quer engolir de amor o Amor

se despede com calma, plácida...

o Amor a violenta

se desmancha em mancha

impregna.



[silêncio sem rima na cena; pro fim: o som da respiração e cílios inquietos]
***