11/03/2012

Essas coisas de fim

(...) e sabe o quê?

aqui nada vai acontecer...
além d’eu me eternizar morrendo
de parada e de te ver

sabe o quê?

acordar dói quando a gente
não entende a linha que divisa
o sonho do mundo

e os olhos logo cansam de
ver plástico colorido voando

sabe o quê?

vi muitas borboletas amarelas e comecei a desconfiar...
e essa longitude estirada me morre a cada acordar

sabe que eu não sei se é sério, mas desperto cheia de lodo seu em mim.
e não posso mais. ta-dito.

sabe o quê? ...

confundo o peso do edredom com o seu braço
e dói sempre.

não escutei, horas atrás, o seu pedido de demora
desculpa, dei atenção às outras letras
é egoísta essa lembrança
dói mais.

tenho memórias que me causam contrações
e contrações que me causam enjôos
tenho enjôos que me causam reflexões
e em nenhuma delas . . . . . . . . . . . . paz

tenho dores que me causam ausências
e ausências incrustadas, já sem dores                                                                              

Impossível saber como viemos parar tão longe
Impossível torcer-se até certo ponto que seja
E contorcer-se em busca de um miolo...
Aonde o broto?
Que coisa é essa de fim?
tudo parece efeito

e se essa mão escorregasse?
e se alguém viesse todas as manhãs para regar as flores?

cansa
desespera
nada

- é lindo o que você faz, arrepia de longe a vida, mas corta de cruel.
Pode procurar no dicionário... Cru el.

- Eu amo você         ?      

eu amo você – todas minúsculas, com certeza.
E a interrogação. Uns segundos atrasada.
Deve ser mentira. Não devo amar coisíssima nenhuma.


Afinal, que coisa é essa amar?
-

"sabe, eu penso em você todo dia há pelo menos 1095 dias".

mil
e
noventa
e
cinco
dias

não é brincadeira, não.

aliás, claro que é. 

com toda certeza

uma brincadeira dessas favoritas e silenciosas
como ter amigo imaginário de duas cabeças, lugar secreto onde tudo acontece, um botão que faz chover...

agora eu escrevo lento
e penso e leio.

antes eu lia que pensava
antes de não sei quando,

tenho a paleta borrada

- há mar . . .

***