24/06/2012

Junho


Felicidade chegou à casa mais cedo vestindo uma pasta amarela.

Bronzeada de rua e agitada de brisa secou os pés ludibriados no carpete da porta da sala.

Eu via o quadro do andar de cima, de uma janela em que não se via mais nada – só as entradas e saídas de Felicidade que eram, a cada estação, mais raras.

Dessa vez não eram as Flores que mandavam nem as Asas penosas.

Felicidade era uma cor e só. Passado-amarelo-pardo.

“Que forma de envelope possuem os dias...”, chorava de sobra. Pela alegria de entender o que diziam suas lágrimas mais incoerentes. Já não se entendia muito bem em línguas de gente, sussurrava sons de árvores, assobiava bravuras e se curava aos gritos e barrancos.

Saiu em asas de borboleta violeta – Felicidade não é retilínea.
...

É amor bem amado em história de bandido
Ar em dia de sangue
Cafuné espinhoso
Não é estado, não é jogo
Nó sem solução na garganta sufocando a gente de arco-íris
O tempo untando de geléia carinhosa uns passos nossos...