DIGERIR. o tanto de vida que a vida dá. o que é corte-forte
e o que é asa fluida, digerir para expressar. a expressão quase instantânea do
que nos acontece como mundo é
verborrágica e nos distancia da incorporação do acontecido. incorporação
advinda de uma descoberta de mundo que instaura a ação reflexiva e agita em
questionamentos o corpo; esta “incorporação do acontecido” diz respeito a um
alargamento de fronteiras. alargamento que não é visível como instante, mas que
sinaliza-se com (in)consciências-vagalumes que piscam em nós fazendo com que
desejemos “mudar de lugar”. reconhecemos em nossos corpos – considerando sua
dimensão física-psíquica-emocional – nódulos
que se querem desfeitos, e então deste desvelar de “ranhuras” surge um ímpeto
de movimento que quer/busca chacoalhar este corpo.
no entanto estes movimentos requerem observação,
apropriação, um tempo de digestão para que sejam in-corporados e não escorram
de nós como prelúdios de novos mundos; a expressão destes movimentos de
alargamento das fronteiras que não respeita o tempo de germinação das novas
consciências não alcança estado de enraizamento no/do ser, transfigurando
consciências em bibelôs que colamos ao nosso corpo-imagem.