você me parece tão longe
que a dor se esconde
muito quieta, atrás das
cores deixadas para trás
às pinceladas ventadas
(borradas, esbarradas, interferidas
qualquer coisa que não concluídas)
mas se algum objeto voar de
cima de uma das prateleiras
se eu não perder seu olhar
pr’alguma estrela
(se eu olhar, finalmente)
vou me ver de longe acenando
à cena, vou ver flutuarem
palavras amenas saídas das
bolhas de sabão que não
passarão de minúsculas gotas...
quase-água-nenhuma que só mancha
o chão do beijo que dá nele pra estourar
(poc)
eu vou acreditar no que você contar
mas não posso acreditar olhando...
(olhar é acreditar demais)
***