te procuro em territórios falidos
antigos caminhos
velhas palavras
céus perdidos
não adianta, não te encontro
vives alheio ao meu plano
nado nado nado
e afundo.
querendo muito (ou por
não querer mais nada) me
afogo em devaneios de
respirar tanta água...
aí incho, me aperto, te esbarro
em corredores imaginários
pauso o cenário para os dias
sem eixo, te guardo inteiro
raiado em memória, embalo
tudo em letras e longas histórias
o levo em voltas pelo meu coração
eu autorizo a confusão
não corrijo deslizes
não determino limites
voas em mim agitando-me o peito
congelado, deitas aqui secretamente
e diz-me baixo “não te largo”.
me deixo enfeitiçar
por mentiras líricas
não sei fazer de outro jeito...
invento as dores
dou asas aos invisíveis amores
mergulho em escatologias
pairo em adivinhados vendavais...
acordo muda e cega e santa.
sem calores, sem resquícios de
noturnos rubores, amanheço fria
folha em branco prum novo dia
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