04/06/2011

muito vento e nenhum dedo d'água

I

nós que não estamos aonde gostaríamos de estar
vamos nos mexer só quando alguém vier nos buscar?
a questão é sempre simples, embora não transpareça

se eu começar a me mexer nessa direção não vou
mesmo querer parar, mas nada de discos voadores
e o vento refresca mas não leva embora nada
além da folha de sempre...

cambeiam as palavras na mente
dissolvem-se no tempo seco as imagens;
de fora: aonde leve a entrada da próxima passagem

II

Nós que não estamos aonde gostaríamos de estar nos enfrentamos pelo
nosso próprio lugar. Somos coisa demais existindo no mesmo espaço...
Não vale saber querer e aparecer sem ser, assim não se alcança a tempo o tal
lugar (?)

(um cansaço mais que fundo e faíscas de desejos já crispados)

- Lá vou eu.
- Eu?
- Você.
***