Dá pra estar um no outro encostado e sentir um aqui, o outro
noutro estado
Dá pra estar a flor aqui, a cor na outra calçada e ainda assim o cheiro dela cosquinhar o ar
Dá pra ser fruto suculento de longe
E por um tempo lamber de desejo os beiços de tangerina
. . . dá pra ver tudo
isso secar de cima
Dá pra desaparecer pra dentro de tão íntimo
E soar mais distante que uma folha caída de árvore
- dá pra Ser até mais tarde?
Por baixo dessas
cadeiras
Por detrás de armários
Estantes, geladeiras...
Embaixo das colchas de
chita
Das flores de fita
Das gravatas apertadas
Depois
da última esquina
As boas vindas: aqui seremos isso que buscamos ser, aqui o nosso cheiro é nosso, os nossos olhos olham e vêem, os ouvidos escutam e a pele se abre inteira sem saber nada do medo;
aqui fogo é fogo e água é água
Nos movemos
pelo que se move aqui dentro, não nos dis-dizemos, somos nós mesmos a tempo...
(somos nós
mesmos o próprio tempo)