06/09/2010

the sky above us shoots to kill

boca que foge à dona
história a ser derramada
letra tossida, torcida ou cuspida
poesia que não vai ser descartada

isso a que vocês chamam
ação, em mim, não passam
de faíscas dissimuladas do
inconsciente

anseio desmedido por
abraçar o instante
espasmo sonso de
pássaro longe do céu

as coisas secretas
e de evitar enchente
partem de mim vomitadas
vazam instintivas pelos dedos
escorrem grossas, as letras
meio em ordem, meio pra
organizar a desordem...

aí leio, releio
mudo coisas de lugar
dou jeito nos acentos
nos pontos, no que é
parêntese ou nota da
paisagem

- soa mais interferido -

o programado pra ser
esquecido são os sentires
que eu visto mas evito

versos que vão evaporar
dias inteiros moldados
em fumaça e matéria de
nuvem

as melodias
ocultas aonde
os escondo
me encontro
e ratifico

minhas cenas
de "juro que fico"...

depois se vira a oca
página em branco

a que não vai ser escrita
aquela última

sem guarita

o motivo não bambeia

nasce puro
e vive mudo
(morre do próprio momento)


            *

era disso que eu falava:
vocês não me veem a sério
assim como são frágeis pedacinhos
os seres que reinam na minha cabeça

(mas é de verdade que eu queria
lhes dizer as coisas que digo...)

e ainda que um dia eu me mostre inteira

- feita do tal barro, pétalas e brisa
contando com a ausência das
minhas máscaras sem margem -

ainda que eu me desconstrua
ninguém no mundo todo terá
me visto crua
***