( um )
ande, motorista!
tenho voltas a inaugurar
cores para reconhecer
céus que quero ver brilhar
por hoje:
me leva mais que fora das paredes
além das minhas prateleiras
longe de qualquer fronteira
procuro um lugar de flores gigantes
dessas que nascem ao luar
brisas cortantes e objetivas
canções de ver o tempo voar
me arremessa fora do mapa
onde haja atmosfera ainda
capaz de encantar, tenho
palavras que quero esconder
e um jardim de versos em noite de estréia
que se apresenta logo ao raiar...
me encontre a terra-do-céu-maior
onde o de mais grandioso exista
é só buscar... insista!
tem que dar vontade de mergulhar
fundo e com gosto, nadar de se perder
(quero algum direito a desaparecer...)
sei que busco uma estância desconhecida
distante mesmo em pensamento
mas é que há por lá bichos dançantes
que se movem em flashes sonoros
hipnotizantes, melodicamente frenéticos
(é de entorpecer os corações mais céticos)
procura com devoção o Estado
dessas dadas coordenadas
que são tontas, fantasiadas
mas justas feito brechas
é certeiro! segue a réstia...
lá as minhas asas são possíveis
e a água escorre em serenatas à lua
que inaugurada para esquentar o dia
vigia os possíveis amantes da praça-surda
e inspira o desabrochar da noite
entornando-lhe fresca poesia
depois, mimeografa sentimentos
puros para as noites que serão cruas
sejam as madrugadas opacas
ou explicitamente nuas...
( dois )
inaugure você a viagem
pode escolher a direção
eu sigo atrás dos ponteiros
tardia por constituição
rabisco um cenário, o enfeito
de fabulosas borboletas
sigo em traços o roteiro
enche a lua... a lua esvazia...
e nada de arte final...
faz calor, esbraveja a Natureza
em vento. sem suspiro de
último capítulo:
vê? são assim
as invenções
do meu coração
quadros limpos, claros, baixo atrito
mas a alma do negócio é confusão!
tudo vem com essa força poética
e assim, do mesmo impulso inicial
tudo vai em força igual...
por isso, hoje decida você o destino
mas me ache, pra esse sono, caminho
finda o fracassado desatino...
(que as minhas passagens tendem
todas ao mesmo clichê infinito)
juro que adormeço de paisagens
besta de margaridas coloridas
e cansada de viagens
junto os cílios
esqueço dias selvagens
sem vigília...
- encerro o que falei -
e logo sonho que cheguei
***