31/08/2010

pra lá daquele meteoro

( um )

ande, motorista!
tenho voltas a inaugurar
cores para reconhecer
céus que quero ver brilhar

por hoje:
me leva mais que fora das paredes
além das minhas prateleiras
longe de qualquer fronteira

procuro um lugar de flores gigantes
dessas que nascem ao luar
brisas cortantes e objetivas
canções de ver o tempo voar

me arremessa fora do mapa
onde haja atmosfera ainda
capaz de encantar, tenho
palavras que quero esconder
e um jardim de versos em noite de estréia
que se apresenta logo ao raiar...

me encontre a terra-do-céu-maior
onde o de mais grandioso exista
é só buscar... insista!
tem que dar vontade de mergulhar
fundo e com gosto, nadar de se perder
(quero algum direito a desaparecer...)

sei que busco uma estância desconhecida
distante mesmo em pensamento
mas é que há por lá bichos dançantes
que se movem em flashes sonoros
hipnotizantes, melodicamente frenéticos
(é de entorpecer os corações mais céticos)

procura com devoção o Estado
dessas dadas coordenadas
que são tontas, fantasiadas
mas justas feito brechas
é certeiro! segue a réstia...

lá as minhas asas são possíveis
e a água escorre em serenatas à lua
que inaugurada para esquentar o dia
vigia os possíveis amantes da praça-surda
e inspira o desabrochar da noite

entornando-lhe fresca poesia
depois, mimeografa sentimentos
puros para as noites que serão cruas
sejam as madrugadas opacas
ou explicitamente nuas...


( dois )

inaugure você a viagem
pode escolher a direção
eu sigo atrás dos ponteiros
tardia por constituição

rabisco um cenário, o enfeito
de fabulosas borboletas
sigo em traços o roteiro

enche a lua... a lua esvazia...
e nada de arte final...

faz calor, esbraveja a Natureza
em vento. sem suspiro de
último capítulo:

vê? são assim
as invenções
do meu coração

quadros limpos, claros, baixo atrito
mas a alma do negócio é confusão!

tudo vem com essa força poética
e assim, do mesmo impulso inicial
tudo vai em força igual...

por isso, hoje decida você o destino
mas me ache, pra esse sono, caminho
finda o fracassado desatino...

(que as minhas passagens tendem
todas ao mesmo clichê infinito)

juro que adormeço de paisagens
besta de margaridas coloridas
e cansada de viagens

junto os cílios
esqueço dias selvagens
sem vigília...

- encerro o que falei -
e logo sonho que cheguei
***