pedi o de sempre, um sopro de vento
rezou, a estrada: "turbulência a qualquer momento!"
esperei. cansei. sentei.
gritei palavras arrependidas
dei pra sentir coisas ao avesso...
mantive as sobrancelhas
teimosamente franzidas
mexi em feridas pouco minhas
inventei de ser isso que se é
por pura indecisão do que ser
cambalhoto, então, costumes
afasto cortinas, sopro ora
poeira, ora purpurina
termino ainda palhaça
mansa, dessa vez
subjetivamente resgatada
enfim salva!
(musicalmente falando...)
*
tem forma
cor de realidade
apreço, magnitude
é quase uma fonte
de transbordar saudade
música nova ainda que antiga
trilha sonora inaugurada
sussurrou acordes de lá
do outro lado da tela
gritei. Ela ouviu. então veio
eu chorei que me sentiu...
sonhei pitangas líricas:
- me escuta, não aguento! tendo ao drama, é um tormento;
não, não consigo sozinha. minto quando faço que sim.
desce, brilha, cintila AQUI, na rua.
por favor, Sra., diz que me ajuda?
(era disso que as
folhas ventavam;
choviam no vidro
descompassadas
anunciando, pela via
a fictícia tempestade)
não volto...
não adianta...
não grita, filha...
e não cansa...
canta essa fantasia pra sempre...
(de qualquer jeito não se acha o tom...)
dança dança dança...
não te deixa sufocar, a solidão...
segue a reta, inteira, vainer...
deixa dessa frouxidão...
te salvo aos poucos durante a estrada...
te canto ao longo músicas de estrelas...
você aí: escuta os pássaros...
cuida os figos...
não exagera em coisas à toa...
brilha na marra, me olha: te grito o infinito
com direito e autoridade -
tem paciência com a sua ignorância...
cura as dores em lugares quentes...
não inventa mais linhas do que devia...
música, passo, reflexão, movimento...
não tem erro...
te enxergo com certeza...
levanta de novo...
te amo...
descansa...
*
tinham que ser Canções de amor
as que abririam espaço no vão
desci muda, derramada
sentindo-a escorrer pela mão
***