03/08/2010

blocos.

De repente se perdem
Todas as formas
Se derretem por inteiro
Os blocos coloridos
Fica só aquela sensação
De se ter chupado limão.

É um rebuliço de entranhas
Não é desassossego
Não é agito de coração transbordante
Coisa de explodir sem estopim
Cessa o que é inquietude
Na madrugada
Rola, à toa, na brisa
A estrada

De vez enquando pinga
Lá dentro, um caldo verde
Que amarga, roça lento
Por umas longas paredes
De coração

Veneno ácido
Obscuro, corrosivo
Não cura nunca
Só mata.

Corre, você, do líquido rastejante.
Deixa rolar água aqui, ali
Mais ali...
Água clara

Vaza, agora
De dentro pra fora
Esquece pelo caminho
As coisas pegajosas
***