26/08/2010

Para: a Diva

Sei bem como é isso, estrelinha. De se esgotar em querer. Se esfolar por dentro com as próprias unhas por vontades que já foram soterradas dezenas de vezes.
Mas não adianta saber. Ou saber que os outros sabem. A gente não sossega.

A Priscila diz ser coisa de gente mimada, essas cismas eternas. Litros de palavras já sabidas, diálogos ultra ultrapassados. Acho o apego em forma de trajetória, essa nossa insistência em engodos pintados de relacionamento tosco ou paixão aguda. Tem, ainda, qualquer coisa de medo (num sentido vago...) e covardia ou preguiça de dar um passo firme novamente.
E seria tão bonito se as coisas funcionassem como se apresentam no roteiro...

Coramos de verde esperança por ingenuidade, pura estupidez. Nenhuma grande onda invade a sala, nenhum passarinho vem perto cantar; existem só um monte de horas iguais, um monte de pessoas falantes demais, de noites devastadoras, dias secos e azedos...
A gente cansa, descansa, e cansa de novo do que já não é mais mistério. Fica inquieta a imaginação que, vazando ou não, cria cenas de culpa dilacerantes, enquanto recorda passeios cortantes à lua.

Mas [e aqui entra o click] se nos esforçamos pelo alargamento do conto, se insistimos na multiplicação dos versos, desgastamos todos os encontros. Aí arrebenta a corda. Responsabilidade nossa, deles e dos dias que clamam por eternidade.
Entenda, estrela, ninguém têm culpa que possa ser nomeada.
É tudo substância do movimento... Dança infinita ditada pelo vento.

Eu não vou dizer para que não chores, para que vá às ruas vestida em cores falsas fingindo que espanta sombras densas. Não vou insistir para que cantes tuas notas mais felizes, agora.
Acho, ao invés disso, que te deves esgotar em melancolia. Que um dia, que virá depois de um outro dia mais claro, o peito esvazia. E aí quando as horas estiverem a te bater de leve e sem nenhuma graça - que depois de abismos vagamos num buraco amplo, vazio e mudo de todos os sons - aí vamos andar pelos meus caminhos favoritos para te colorir de novo.
De volta ao início do tabuleiro depois de uma volta loooonga e da qual vais lembrar melodicamente...
Aliás! Remédio para mente: ouça mais e mais e mais e mais um zilhão de músicas, estrela.

[conselho da madrugada]

E não te deixo esmorecer! Que esse ainda não é teu motivo para sumir em implosão de brilho invisível.
Então, querendo ou não, continuas para mim assim: sendo triste ou a dar cambalhotas, torta, santa ou meretriz... A aflorar...
Enquanto o próprio Universo não sucumbir em vão, continuo a te ver brilhar!
***

Beijo de boa noite, chuchu.
(com as maiúsculas  =D)