não é nem de longe tormento
é mais um esvaziamento
secou a escuridão
agora é a clareza do vão
sumiu o que era tristeza
subiu, pro meu céu
outra estrela - caso desfeito
sem dever ou direito
(qual era mesmo a conclusão, Tom?)
deixei me ludibriar pela luz
que vinha da rua. não liguei...
fingi ser o poste, a lua
que de lá me via e assim:
estonteante, a exibir grande laço
sorria e rodopiava no espaço
enquanto a dama oculta inundava
a noite de clássicos raios lunares
grossos de tão brancos
as coisas, que além de verdes
são cândidas, estavam inteiras a balançar
soavam, na minha rua
notas hipermusicais
e o vento que é de passagem
soprava redondo como se
não pretendesse parar
depois se perdeu no clarão
da cidade todo o meu devaneio
daí em diante pairei perdida
por um reino de palavras mudas
no dia em que a lua não veio
***