de relembrar ou lendo ouvindo ou vendo passagens
percebi que o domingo é o pai dos abandonados
e por gosto ou perdição acalanta os sofridos
cabem nele, sem julgamento
serenatas que seriam impensáveis às quintas-feiras obscenas
e exageros que chegariam às segundas desgastados
e para que é que servem estes dias se não para isso mesmo: serem tortuosamente desperdiçados ou remoídos em filmes distantes?
existem oficialmente como início
mas soam dentro das vidas
como final de dia vazio
só aos domingos a preguiça toda do mundo se exibe estendida numa longa varanda sem (ainda) ser massacrada pela pressa das horas correntes
deixem aos domingos suas breguices e brejeirices de roça à giz de cera; seus amorecos de praça e suas cores de retratar semana amarga
não intimidem-se, notas dominicais
(hão de entender que coisas são feitas ao passar delas mesmas)
enrubesci e desisti de me contorcer
deixo tecidos e esquecidos
meus domingos
por você
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