11/10/2010

Para: o domingo

de relembrar ou lendo ouvindo ou vendo passagens
percebi que o domingo é o pai dos abandonados
e por gosto ou perdição acalanta os sofridos

cabem nele, sem julgamento
serenatas que seriam impensáveis às quintas-feiras obscenas
e exageros que chegariam às segundas desgastados

e para que é que servem estes dias se não para isso mesmo: serem tortuosamente desperdiçados ou remoídos em filmes distantes?

existem oficialmente como início
mas soam dentro das vidas
como final de dia vazio

só aos domingos a preguiça toda do mundo se exibe estendida numa longa varanda sem (ainda) ser massacrada pela pressa das horas correntes

deixem aos domingos suas breguices e brejeirices de roça à giz de cera; seus amorecos de praça e suas cores de retratar semana amarga

não intimidem-se, notas dominicais
(hão de entender que coisas são feitas ao passar delas mesmas)

enrubesci e desisti de me contorcer
deixo tecidos e esquecidos
meus domingos
por você
***