um gato e meio perdido
três rosas queimadas
um novo plano
longas, as horas
as estradas
as pílulas de crítica, as listas
os passos para trás no futuro (não me lembro de já ter falado com o futuro...)
a clareza, o escuro, um fundo, os sons todos
outro pulo
nova gata insana
pensar na grana (!)
prazer, espinho. trouxe o vinho.
um porre escatológico
sete perdões
(de trocentos passos perdidos)
o colapso das minhas generalizações
uma briga com uma muda
uma Maya falante, um João sorridente
Clarice e os clics
Caetano.
a ilusão da alma, o segredo dos seus olhos, Parnassus, os famas, os cronópios e as esperanças, o cérebro e a mente (que bem mente...)
as noites, a varanda, os cantos da janela
mais uma prova
as pretensões de primavera
outro início e esse cara, agora: Bernoît (continuo até amanhã com isso...)
a poesia para escrever, espairecer e fingir que existo
a poesia para ler, comer e rabiscar que insisto
(ainda o apego:)
37 barquinhos, dois caderninhos, boas fotos laranjas:
uma luminária em forma de disco voador
um disco voador em forma de amor
Caio Fernando Abreu e as borboletas na cabeleira
a história da cosquinha
[Infra] McGregor me esfregando a vida do movimento na tela
Magritte
a Odalisca Andróide
muita água, pouca cisma
a inauguração da lista das dores bem-vindas:
***
31/12/2010
30/12/2010
(bang)
É difícil desde o início.
Porque se você deseja alguém que te leva para rodar à noite alheio à substancialidade, é porque em algum canto, talvez da mesma cidade, o desejado pede por outro passagem – que os encontros são todos matéria de desencontros anteriores –, não é novidade. E se vamos seguir nessa linha das vontades, logo entra no jogo alguém que pense pelo primeiro do bolo e pelo menos mais uns dois corações para dar liga ao engodo.
E se o umbigo é a seta do jogo, somos todos incapazes: vamos querer juntos ou o centro, ou os cantos e choraremos os mesmos prantos, pelas mesmas cores e imploraremos o vazio pelo belo-bem das flores, mas sugando-as a esmo (morrerão da própria primavera). Ressecadas, todas elas.
Precisamos nos derreter em próxima estação sem a necessidade da notícia, dando nota do que se tem pela vista... Assim, as coisas quase se encaixam – que não sou mesmo eu a pessoa com a resposta certa –, mas vocês percebem? Não vale a aposta, a medalha, nem a lição da derrota; que se cabe tanta história na nossa glória é porque as coisas existiram aos milhões numa específica-faísca-infinita de hora. E danem-se, então, as outras complicações, os manuais e convenções, os ritos, os desgostosos...
Me desculpe, você
Que veio me ver e não me encontrou
Me desculpe se chego, às vezes
Sem saber onde estou
Mas eu não ouço a largada...
Só vim pelas estrelas da calçada.
***
Porque se você deseja alguém que te leva para rodar à noite alheio à substancialidade, é porque em algum canto, talvez da mesma cidade, o desejado pede por outro passagem – que os encontros são todos matéria de desencontros anteriores –, não é novidade. E se vamos seguir nessa linha das vontades, logo entra no jogo alguém que pense pelo primeiro do bolo e pelo menos mais uns dois corações para dar liga ao engodo.
E se o umbigo é a seta do jogo, somos todos incapazes: vamos querer juntos ou o centro, ou os cantos e choraremos os mesmos prantos, pelas mesmas cores e imploraremos o vazio pelo belo-bem das flores, mas sugando-as a esmo (morrerão da própria primavera). Ressecadas, todas elas.
Precisamos nos derreter em próxima estação sem a necessidade da notícia, dando nota do que se tem pela vista... Assim, as coisas quase se encaixam – que não sou mesmo eu a pessoa com a resposta certa –, mas vocês percebem? Não vale a aposta, a medalha, nem a lição da derrota; que se cabe tanta história na nossa glória é porque as coisas existiram aos milhões numa específica-faísca-infinita de hora. E danem-se, então, as outras complicações, os manuais e convenções, os ritos, os desgostosos...
Me desculpe, você
Que veio me ver e não me encontrou
Me desculpe se chego, às vezes
Sem saber onde estou
Mas eu não ouço a largada...
Só vim pelas estrelas da calçada.
***
27/12/2010
Estudo Coreográfico - Night Time In The Backyard (1)
uma moça muito mole
e uma sombra de feitiço
na porta, na janela, na estrada
na floresta... (ninguém vê?)
e porque ela foi atrás
a sombra, imodesta
abriu as portas do jardim
em uma quase noturna seresta.
***
jogo pra dois.
e uma sombra de feitiço
na porta, na janela, na estrada
na floresta... (ninguém vê?)
e porque ela foi atrás
a sombra, imodesta
abriu as portas do jardim
em uma quase noturna seresta.
***
jogo pra dois.
25/12/2010
zzz . . .
Me deu agora
às seis horas
(como se eu não tivesse tido tempo pra isso antes do sono chegar)
um medo que
me arregalou os olhos
e emudeceu o peito.
Porque é bem quando
eu me acho nos eixos
e espalho a notícia da regalia
ao Universo, que tudo gira ao contrário
(o pior é que agora já é tarde demais pra dizer que eu entendi tudo errado...)
***
às seis horas
(como se eu não tivesse tido tempo pra isso antes do sono chegar)
um medo que
me arregalou os olhos
e emudeceu o peito.
Porque é bem quando
eu me acho nos eixos
e espalho a notícia da regalia
ao Universo, que tudo gira ao contrário
(o pior é que agora já é tarde demais pra dizer que eu entendi tudo errado...)
***
24/12/2010
Então é Natal?
Hoje, eu vi bem no meio do céu que se exibia num verão azul e embaçado, um aglomerado de nuvens cinzas. E parei para assistir como se assistem às coisas realmente impressionantes: que era tudo aquilo um imã, ou um raio sonoro inaudível aos caretas, uma massa flutuante de energia... Eu ia andando e olhando devagar para o alto e já me via escalando o vazio atéééé lá em cima.
O fluxo era energia de desejo. Ou melhor, o desejo era o que bulia. E quis ser matéria do instante, ponto de água no asfalto parado, na folha chovida, no nariz maltratado, no ombro da menina, nos lombos assados; quis encostar isso tudo que eu sou sem saber dar sentido, nessas coisas que são o sentido torto desse mundo vivido.
[Ia ser como tocar a eternidade, finalmente escorrer toda a vaidade, pingos duram instantes e só...]
- Ô menina! Vai ocupar a vaga o dia inteiro?
***
O fluxo era energia de desejo. Ou melhor, o desejo era o que bulia. E quis ser matéria do instante, ponto de água no asfalto parado, na folha chovida, no nariz maltratado, no ombro da menina, nos lombos assados; quis encostar isso tudo que eu sou sem saber dar sentido, nessas coisas que são o sentido torto desse mundo vivido.
[Ia ser como tocar a eternidade, finalmente escorrer toda a vaidade, pingos duram instantes e só...]
- Ô menina! Vai ocupar a vaga o dia inteiro?
***
23/12/2010
21/12/2010
oi, dia 21.
"Mas seu descompasso com o mundo chegava a ser cômico de tão grande: não conseguira acertar o passo com as coisas ao seu redor. Já tentara se pôr a par do mundo e tornara-se apenas engraçado: uma das pernas sempre curta demais. (...) E de repente sorriu para si própria com um sorriso amargo, mas que não era mau porque também ele era de sua condição. (Lóri se cansava muito porque ela não parava de ser.)"
***
(Clarice L. - "Uma aprendizagem...")
***
(Clarice L. - "Uma aprendizagem...")
dos inícios
eu acho que consigo as coisas
mas na verdade sonho com elas.
e ponho luzes, movimentos
preencho toda a música
(cada oito em seu tempo)
esquematizo os desenhos
assopro a poeira e afasto as cortinas
(mas isso é aqui bem pra dentro...)
e até dói isso de só
Começar
Começar
Começar
mas qual é mesmo
o próximo
passo?
depois invento e digo
que amanhã eu tento
mas chega o sol de novo
...e de novo
...e de novo
e eu aqui criando
princípios.
***
mas na verdade sonho com elas.
e ponho luzes, movimentos
preencho toda a música
(cada oito em seu tempo)
esquematizo os desenhos
assopro a poeira e afasto as cortinas
(mas isso é aqui bem pra dentro...)
e até dói isso de só
Começar
Começar
Começar
mas qual é mesmo
o próximo
passo?
depois invento e digo
que amanhã eu tento
mas chega o sol de novo
...e de novo
...e de novo
e eu aqui criando
princípios.
***
17/12/2010
Viver é oblíquo
(Rodrigo Rosa)
Viver é obliquo
Muito
A obliqüidade da vida
Viver é sem definição
Os grandes ramos espinhosos do desejo
Decepam, não furam
Cai o ser, acaba a vida
O desejo rasga
Mutila o eu quando desaba
Antes, constrói fortaleza
Edifica sonhos de areia
O vento do real vem
E é tudo pó
Mutila o eu o desejo
A obliqüidade da vida recortada
Pelos reveses, costurada pelo seguir
Ai, vida, não sabias queu era fraco?
O eu se desbarata
Parte em pedacitos trêmulos
Tolo eu, por que procuraste
mais do que lhe convinha?
O tempo que deixo ir (lhe faço despedida com um branco lenço)
Discorrendo grafos neste papel que coisa é.
É? Se é ou não, não se sabe
Mas, mesmo que fosse, inconcebível seria
A noite se vem esfriando
A lua acenou-me jactante às nuvens negras
Também são belas as nuvens negras, pena os homens as macularem.
***
linda, linda...
(em: www.cronopios.com.br)
Viver é obliquo
Muito
A obliqüidade da vida
Viver é sem definição
Os grandes ramos espinhosos do desejo
Decepam, não furam
Cai o ser, acaba a vida
O desejo rasga
Mutila o eu quando desaba
Antes, constrói fortaleza
Edifica sonhos de areia
O vento do real vem
E é tudo pó
Mutila o eu o desejo
A obliqüidade da vida recortada
Pelos reveses, costurada pelo seguir
Ai, vida, não sabias queu era fraco?
O eu se desbarata
Parte em pedacitos trêmulos
Tolo eu, por que procuraste
mais do que lhe convinha?
O tempo que deixo ir (lhe faço despedida com um branco lenço)
Discorrendo grafos neste papel que coisa é.
É? Se é ou não, não se sabe
Mas, mesmo que fosse, inconcebível seria
A noite se vem esfriando
A lua acenou-me jactante às nuvens negras
Também são belas as nuvens negras, pena os homens as macularem.
***
linda, linda...
(em: www.cronopios.com.br)
09/12/2010
do silêncio
coisas que importam...
uma faxina, um levantamento...
um tempo...
***
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