(Rodrigo Rosa)
Viver é obliquo
Muito
A obliqüidade da vida
Viver é sem definição
Os grandes ramos espinhosos do desejo
Decepam, não furam
Cai o ser, acaba a vida
O desejo rasga
Mutila o eu quando desaba
Antes, constrói fortaleza
Edifica sonhos de areia
O vento do real vem
E é tudo pó
Mutila o eu o desejo
A obliqüidade da vida recortada
Pelos reveses, costurada pelo seguir
Ai, vida, não sabias queu era fraco?
O eu se desbarata
Parte em pedacitos trêmulos
Tolo eu, por que procuraste
mais do que lhe convinha?
O tempo que deixo ir (lhe faço despedida com um branco lenço)
Discorrendo grafos neste papel que coisa é.
É? Se é ou não, não se sabe
Mas, mesmo que fosse, inconcebível seria
A noite se vem esfriando
A lua acenou-me jactante às nuvens negras
Também são belas as nuvens negras, pena os homens as macularem.
***
linda, linda...
(em: www.cronopios.com.br)