30/12/2010

(bang)

É difícil desde o início.

Porque se você deseja alguém que te leva para rodar à noite alheio à substancialidade, é porque em algum canto, talvez da mesma cidade, o desejado pede por outro passagem – que os encontros são todos matéria de desencontros anteriores –, não é novidade. E se vamos seguir nessa linha das vontades, logo entra no jogo alguém que pense pelo primeiro do bolo e pelo menos mais uns dois corações para dar liga ao engodo.

E se o umbigo é a seta do jogo, somos todos incapazes: vamos querer juntos ou o centro, ou os cantos e choraremos os mesmos prantos, pelas mesmas cores e imploraremos o vazio pelo belo-bem das flores, mas sugando-as a esmo (morrerão da própria primavera). Ressecadas, todas elas.

Precisamos nos derreter em próxima estação sem a necessidade da notícia, dando nota do que se tem pela vista... Assim, as coisas quase se encaixam – que não sou mesmo eu a pessoa com a resposta certa –, mas vocês percebem? Não vale a aposta, a medalha, nem a lição da derrota; que se cabe tanta história na nossa glória é porque as coisas existiram aos milhões numa específica-faísca-infinita de hora. E danem-se, então, as outras complicações, os manuais e convenções, os ritos, os desgostosos...

Me desculpe, você
Que veio me ver e não me encontrou

Me desculpe se chego, às vezes
Sem saber onde estou

Mas eu não ouço a largada...
Só vim pelas estrelas da calçada.
***