Hoje, eu vi bem no meio do céu que se exibia num verão azul e embaçado, um aglomerado de nuvens cinzas. E parei para assistir como se assistem às coisas realmente impressionantes: que era tudo aquilo um imã, ou um raio sonoro inaudível aos caretas, uma massa flutuante de energia... Eu ia andando e olhando devagar para o alto e já me via escalando o vazio atéééé lá em cima.
O fluxo era energia de desejo. Ou melhor, o desejo era o que bulia. E quis ser matéria do instante, ponto de água no asfalto parado, na folha chovida, no nariz maltratado, no ombro da menina, nos lombos assados; quis encostar isso tudo que eu sou sem saber dar sentido, nessas coisas que são o sentido torto desse mundo vivido.
[Ia ser como tocar a eternidade, finalmente escorrer toda a vaidade, pingos duram instantes e só...]
- Ô menina! Vai ocupar a vaga o dia inteiro?
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