GATO: Perdeu algo?
ALICE: Oh, não não! Isto é, estava pensando...
GATO: Faz muito bem pensar.
ALICE: Obrigada, mas eu só queria saber que caminho tomar.
GATO: Isso depende do lugar onde você quer ir.
ALICE: Realmente, não importa, desde que eu...
GATO: Se é assim, não importa que caminho tomar.
***
21/01/2011
[ ah . . . ]
ansiedade, em mim, é massacrante.
que só o que eu quero, agora, é morder morder morder morder pra sempre
a minha boca, até ter coragem de arrancar um pedaço e mastigar.
e suprimir isso que não me resolve a vida (isso o quê?) isso! que não tá aqui, não tá ali, não tá em lugar nenhum! arreganharam as cortinas do meu quarto, me encheram de encanto por flores e bichos voadores, mas cadê a porra do jardim?
o pior é que eu já me perdi...
que lugar é esse?
ei, quem é você?
...
vamos sonhar com,
...
põe pra tocar aquela,
aquela música ...
(debruçou-se louca na janela, rimou fera-anjo-e-primavera, dançou na beira do espelho, mergulhou na foto da revista bacana, sonhou com ovelhas voadoras, contou estrelas protetoras, não achou em lugar algum as pérolas (chorou por elas), gritou de raiva por sentir ódio, esmagou as flores roxas em protesto aos risos dos caras-enlatadas, escalou quantas montanhas quis, por todos os dias que pôde sem cansar de andar e sem lembrar-se de respirar. deitou, por fim, sabe-se lá aonde, mas logo, logo era feita de algodão... sem dores, sem pulso, sem vão... sem ossos, sem o peso do mundo no pescoço, sem calor ou frio ou vontade de mastigar o próprio mindinho... algodão que não rima, não tem sina ou passo a dar pra próxima esquina... frouxo algodão... puro, frouxo e aconchegante algodão...)
- oi?
...é que a lua cheia continua tonteando os tonteáveis
e esse negócio de esperar resultados...
(me aniquilam, os meus silêncios e andam
me enjoando, as minhas interrogações.)
- ali, a esquina:
...
meu cordão arrebentou e eu tô com medo... é isso... o medo? vontade de ficar parada e de não terminar de escrever nunca pra não parecer a última e mais perdida pessoa do mundo? é isso, medo? eu tenho as sobrancelhas tristemente franzidas, o lábio por baixo dos dentes e as pernas cruzadas num perplexo descompasso... eu tenho medo? me serve de que o peito abafado?
...
meu cordão arrebentou.
até me assustou, mas amanhã
(que não é feriado)
vou andar por um calçadão feio mesmo
mas salva por tons agradáveis...
vou procurar um joalheiro que vai curar
o meu cordão e eu (porque amanhã é amanhã)
vou levantar azul e leve e com inúmeros cheiros
de campo a escorrer pela pele, vou virar para trás o pescoço
por escutar as margaridas que ventaram ali à noite.
vou esfregar os olhos gastos de sonhos
e escolher dois passos prum novo plano.
***
pelo dia 21:
“Quem brincava de princesa
Acostumou na fantasia.”
(final de mês é triste...)
que só o que eu quero, agora, é morder morder morder morder pra sempre
a minha boca, até ter coragem de arrancar um pedaço e mastigar.
e suprimir isso que não me resolve a vida (isso o quê?) isso! que não tá aqui, não tá ali, não tá em lugar nenhum! arreganharam as cortinas do meu quarto, me encheram de encanto por flores e bichos voadores, mas cadê a porra do jardim?
o pior é que eu já me perdi...
que lugar é esse?
ei, quem é você?
...
vamos sonhar com,
...
põe pra tocar aquela,
aquela música ...
(debruçou-se louca na janela, rimou fera-anjo-e-primavera, dançou na beira do espelho, mergulhou na foto da revista bacana, sonhou com ovelhas voadoras, contou estrelas protetoras, não achou em lugar algum as pérolas (chorou por elas), gritou de raiva por sentir ódio, esmagou as flores roxas em protesto aos risos dos caras-enlatadas, escalou quantas montanhas quis, por todos os dias que pôde sem cansar de andar e sem lembrar-se de respirar. deitou, por fim, sabe-se lá aonde, mas logo, logo era feita de algodão... sem dores, sem pulso, sem vão... sem ossos, sem o peso do mundo no pescoço, sem calor ou frio ou vontade de mastigar o próprio mindinho... algodão que não rima, não tem sina ou passo a dar pra próxima esquina... frouxo algodão... puro, frouxo e aconchegante algodão...)
- oi?
...é que a lua cheia continua tonteando os tonteáveis
e esse negócio de esperar resultados...
(me aniquilam, os meus silêncios e andam
me enjoando, as minhas interrogações.)
- ali, a esquina:
...
meu cordão arrebentou e eu tô com medo... é isso... o medo? vontade de ficar parada e de não terminar de escrever nunca pra não parecer a última e mais perdida pessoa do mundo? é isso, medo? eu tenho as sobrancelhas tristemente franzidas, o lábio por baixo dos dentes e as pernas cruzadas num perplexo descompasso... eu tenho medo? me serve de que o peito abafado?
...
meu cordão arrebentou.
até me assustou, mas amanhã
(que não é feriado)
vou andar por um calçadão feio mesmo
mas salva por tons agradáveis...
vou procurar um joalheiro que vai curar
o meu cordão e eu (porque amanhã é amanhã)
vou levantar azul e leve e com inúmeros cheiros
de campo a escorrer pela pele, vou virar para trás o pescoço
por escutar as margaridas que ventaram ali à noite.
vou esfregar os olhos gastos de sonhos
e escolher dois passos prum novo plano.
***
pelo dia 21:
“Quem brincava de princesa
Acostumou na fantasia.”
(final de mês é triste...)
20/01/2011
A Carochinha
Eu vivo, a todo instante, catalogando respostas.
É como se tudo o que existe fosse colocado ali – exatamente ali – para me dizer que vá ou fique ou que, por isso mesmo, não duvide... E a música seguinte vem me dizer das coisas que os outros não dizem, e a forma da lua, a temperatura da rua, a quantidade de carros do lado de lá da calçada, as pobres violetas esfoladas na esquina, tudo o mais que não rima: são objetos para meu encontro, para os inúmeros porquês que eu vejo escorrer pelos cantos.
(não me valiam de coisa colorida)
vou longe deles por encanto
e as respostas não busco
conto.
***
http://www.youtube.com/watch?v=KePHLt_q0fg
booa noitê.
É como se tudo o que existe fosse colocado ali – exatamente ali – para me dizer que vá ou fique ou que, por isso mesmo, não duvide... E a música seguinte vem me dizer das coisas que os outros não dizem, e a forma da lua, a temperatura da rua, a quantidade de carros do lado de lá da calçada, as pobres violetas esfoladas na esquina, tudo o mais que não rima: são objetos para meu encontro, para os inúmeros porquês que eu vejo escorrer pelos cantos.
(não me valiam de coisa colorida)
vou longe deles por encanto
e as respostas não busco
conto.
***
http://www.youtube.com/watch?v=KePHLt_q0fg
booa noitê.
19/01/2011
(sem título)
ao mesmo tempo em que parece tudo andar
– pra frente mesmo, sem filosofar –
o que é vazio nisso tudo, sibila
me chamando pra fora do furacão
(o que é anterior ao vulcão desfoca
a luz que me esquenta agora...)
mas existe uma boca que
chama por dentro uns nomes
e se abre em suspiro sem direção
no escuro sem noite, no vão...
(matar a saudade chega a ser bom,
mas sentir saudade é tão mais real...)
- não sei do que fala a sedução,
eu rezo invencionices.
- condão.
***
– pra frente mesmo, sem filosofar –
o que é vazio nisso tudo, sibila
me chamando pra fora do furacão
(o que é anterior ao vulcão desfoca
a luz que me esquenta agora...)
mas existe uma boca que
chama por dentro uns nomes
e se abre em suspiro sem direção
no escuro sem noite, no vão...
(matar a saudade chega a ser bom,
mas sentir saudade é tão mais real...)
- não sei do que fala a sedução,
eu rezo invencionices.
- condão.
***
05/01/2011
blá blá (blá)
eita! não é que o
coração ainda bate
pulsa...
covarde impulso, arde...
tarde demais me
expulsa do sonho
da noite quieta, da cama...
me ama na rua
na chuva, na felicidade
da roseira amanhã (ou
depois) à tarde, bate
pra ver, coração
com calma, as primeiras
rosas do verão.
***
coração ainda bate
pulsa...
covarde impulso, arde...
tarde demais me
expulsa do sonho
da noite quieta, da cama...
me ama na rua
na chuva, na felicidade
da roseira amanhã (ou
depois) à tarde, bate
pra ver, coração
com calma, as primeiras
rosas do verão.
***
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