( I )
desintegra, Amor
murcha
do contrário nunca vais passar nesse mínimo buraco.
só quando o que sobrar for apenas semente
haverá espaço
murcha, Amor
murcha logo
olha: pra lá da fechadura o mundo vaza colorido das nossas entranhas
e a gente já não liga pra pombos, aranhas, bichos grandes
interessa o que é miúdo e recheia
interessa carinho no próprio nervo
interessa ser vapor
movi mento
quanto do que eu tenho pra dar você-s pretende-m receber?
é muita estrela pro caminho o meu grito?
...
agora escrevo A-mor. com muita lindeza.
é pessoa muitíssimo respeitada na minha casa
e não entendo displicência com seu nome,
põe letra e coisa no mesmo umbigo que é pra não confundir quem passa
– que confusão com Amor no meio é dessas pra vida...
( II )
tem sempre muito Ar dentro de mim
e agora Vermelho
é vulcanicidade ou vulcanismo ?
uns movimentos muito soltos
uma coisa de cabeça pesada
... mais solto o possível
e libera o não-sei-o-quê na corrente sanguínea
e respira colorido – inspira doce, expira fresco
mas, é vulcanicidade ou vulcanismo . . . ?
às vezes acho que tem gente aqui atrás
às vezes é só uma mosca...
às vezes movipenso em capotagens
me salvo porque nunca são pressentimentos
só escorregamentos sombrios
mas . . .
é o vulcão antes
trepidar da terra
mosca de uma asa só
aquele espasmo
aquela coisa de madrugada
ar demais pra pouco peito
é antes . . .
suspende o zum-zum da mosca suja
é tudo rima besta, mas não fácil
é tudo vontade da palavra certa
palavra cert a onde há mar
(lugar exato de errar ainda é lugar legítimo - ponto)
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