16/01/2012

Eros

( I )

desintegra, Amor
murcha

do contrário nunca vais passar nesse mínimo buraco.
só quando o que sobrar for apenas semente
haverá espaço

murcha, Amor
murcha logo

olha: pra lá da fechadura o mundo vaza colorido das nossas entranhas

e a gente já não liga pra pombos, aranhas, bichos grandes

interessa o que é miúdo e recheia

interessa carinho no próprio nervo

interessa ser vapor

movi mento

quanto do que eu tenho pra dar você-s pretende-m receber?
é muita estrela pro caminho o meu grito?

...

agora escrevo A-mor. com muita lindeza.
é pessoa muitíssimo respeitada na minha casa
e não entendo displicência com seu nome,
põe letra e coisa no mesmo umbigo que é pra não confundir quem passa
–  que confusão com Amor no meio é dessas pra vida...



( II )

tem sempre muito Ar dentro de mim
e agora Vermelho

 é vulcanicidade ou vulcanismo ?
uns movimentos muito soltos
uma coisa de cabeça pesada
... mais solto o possível
e libera o não-sei-o-quê na corrente sanguínea
e respira colorido – inspira doce, expira fresco


mas, é vulcanicidade ou vulcanismo . . . ?


às vezes acho que tem gente aqui atrás
às vezes é só uma mosca...
às vezes movipenso em capotagens
me salvo porque nunca são pressentimentos
só escorregamentos sombrios


mas . . .


é o vulcão antes
trepidar da terra
mosca de uma asa só
aquele espasmo
aquela coisa de madrugada
ar demais pra pouco peito


é antes . . .


mata a tapa o tremilique
suspende o zum-zum da mosca suja
insulta .


é tudo rima besta, mas não fácil
é tudo vontade da palavra certa
                       
                        e da brisa exata . . .

palavra cert a onde há mar


(lugar exato de errar ainda é lugar legítimo - ponto)
***