formigas não . . ..
faço flor de qualquer rabisco
passarinho de qualquer sino
adoeço de certas paixões
e tenho febres
quando
perdôo a dor passa
eu respiro, o amor adormece
o vento some
e sou só saia
pra que ele tome
gosto pela aparecencia
se ele ensandece a lua
varro dum chuá o brilho dela
com nuvens que me são veias
emudeço de verdes e cego de azuis
gatos e crianças me arvorecem
aspiro o tilintar das folhas no chão
e tenho su-u-culência por laranjas e gritos
vejo fios de lã e me movo em carinhos
e pretendo ainda mergulhar de boca aberta numa poça de tinta .
*
eu acredito mais no que pulsa
do que no que pisca
***