12/07/2011

o quadro

Na parede, em frente ao sofá menor, havia uma marca de quadro passada. Emoldurado em madeira, eu acho. Mas o que dizia esse texto que é agora um quadrado vago?

Sei que tinham pipas. Pipas e casinhas coloridas. Que postas como foram, bem juntas, pareciam uma caixa de lápis de cor... Três pipas com três crianças. E ainda quatro crianças sem pipas. Com e sem camisa, de usar calça curta e laço de fita:

os sem pipas são dois, são meninos e são bestas
mordem o próprio nariz sem perceber
- a gente não rola na xepa!

enquanto na calçada dois gatos assistem sentados
já sabidos da tortura – e da fuga
ao plano dos dois malvados

- vamos juntos, como quem não quer nada, assim se achegando de leve, como se deve, e pegamos os bichanos pelo rabo! Depois rodamos, rodamos, rodamos, até eles gritarem: quiabo!

- ralamos pelo ralo!

Fora tudo isso, duas meninas (uma muito comprida e a de laço de fita), e cada uma têm nas mãos um canudo e um copo com água e sabão para as bolinhas; e só por festa andam espalhando que aquele que, batendo como se batem as claras de ovo em neve, conseguir transformar o líquido transparente numa coisa azul, ganha um beijo na testa e uma bala de alcaçuz...
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