06/11/2010

Contagem Regressiva

Na verdade o que varia não é
A intensidade do querer. Querer,
Te quero por esse tempo que nos
Persegue sem nunca cansar do assunto

A diferença fica explícita
Na alma do sentimento, no
Fator que conduz o sopro
E vasculha meu pensamento

Às vezes é um quererzinho
Feito coceira no dedo do pé
Cosquinha inconveniente
Aconchego manso e ondeante

Coça a mente
Coça a mente
Coça a mente
Até abrir larga ferida

Aí muda completamente o
Cenário, e te quero enlouquecida
Por não querer nada da vida

Num tapete melodramático me
Esparramo na escuridão, vôo em cegos
Corredores fugindo do que é razão

Cansada da viagem, volto ao mundo
Para espairecer refletindo em botões
De rosa o valor de retroceder

Passa a ardência, passa a hora
O sol, a lua; as nuvens vêm e vão embora

O sangue estanca
Cicatriza em verso a ferida...

E volto a te querer do início da partida:
***