( I )
lá vai ela, mais uma vez
de tropeço em tropeço
atingir logo o proibido
arrepia a pele e congela a razão
mas esse som...
vento ao pé do ouvido
e disfarça a sedução
abre as pernas, envolve as mãos
respira essa ansiedade
e cospe na cara da vontade
mas a noite é linda;
“e a dança, e a dança, e a dança”
encosta-se por acaso
perde tempo com a sombra
mas ainda não está desfeito o caso...
( II )
a outra pensa em afagos
e ele só quer conseguir respirar
insiste, tenta de novo
e uma vontade de espirrar...
ela grita, esperneia
(não tarda a desapontar)
mas ele, longe dali
passa a ver só boca mexendo
e de repente o que era cor escura cambalhota
bambolê em cores
espiral multicolorido
vem vindo, vindo
e quando encosta-lhe a face
transformou-se:
é azul, azul cristalino.
( + )
depois do mergulho, ele emerge
cansado de dar asas ao pensamento
e de caçar buracos, cansado de cansar sempre
e de cercar-se de sorrisos fracos
só aí, percebendo o erro
abre a porta e vê toda a água no chão:
o azul era o avesso.
o azul era o outro lado.
***
fevereiro/2009, na verdade.