Eu queria dizer as coisas e descansar a mente, o peito, a cabeça no travesseiro, mas não acho uma palavra que me caiba agora. Que não é espera o que se passa, nem é mais primavera aqui da minha janela, não tem o derramar intenso da chuva (mas tem a fúria), e não tem o ardor do fogo (mas tem o vermelho), não tá escuro o mundo, e ainda não tá claro; eu ando me sentindo muito incomodada, longe das coisas, querendo o dia ao contrário e seguindo a bula, o protocolo, a linha da estrada – mas a minha cabeça voa na contramão buscando uma porrada.
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