eu grito inteira – até quando não
grito – e grita, agora, o universo
junto comigo: as cartas, os orixás
os guetos, em polvorosa eu e o mundo.
nada sossega a alma, nem os tiros, nem
os versos de cautela, nem o que é cela;
soltaram os cachorros e os malucos de
mil hospícios, não me entendo, não me
quero, não me busco; secou a roseira –
fritou do sol de terça – e sumiram as
pessoas das ruas, esvaiu-se em cinzas
a fogueira; esvaziou o interior, encheu a beira.
não tarda o sacolejo alcança o eixo
ou a enxurrada de cores inunda o tempo
(eu escutei que a culpa é minha?) e aí
os silêncios serão respeitados – como
são os torturados –, deixem que explodam
os ambientes e vulcanizem-se os dormentes
ardam em embriaguez de realidade, sofram,
sangrem as vaidades; destranquem os portões
por enfrentamento à batida, mas não olhe pela
janela que a moça tem outro beijando ela...
e eles não ligam se você sente medo ou frio
ou vazio ou se a vida é inteira uma porcaria
(ali qualquer onda funciona)
– é essa então a sua verdade? estar arrasado e ponto final?
não tem o meu aval essas dores, nem esse peito infestado de invasores
e se eu pintei a boca e saí exibindo vulcões particulares a embriagados
dormentes não foi simplesmente para ocupar o tempo, foi por engenho;
não é minha a culpa, não é sua; não é de falar as coisas que se vive
(é de calar? por favor, não me obriguem a continuar...)
[o machucado que poderia parar de sangrar
se você parasse de mexer, mas você não vai.]
nos traímos pelo bem oculto das paixões, pelas
páginas novas de verão, pela promessa pitoresca
dos dias que virão... e vamos acabar mesmo arruinados
das horas e gentes e cigarros, arranhados de gatos
arbustos e arames enferrujados e porque faz-se realmente
necessário um final, digo a vocês que cochilem: não sei de
onde isso veio, não vi por onde passei, mas pedem todas
as minhas coisas um [ponto] e se não funcionar desse jeito
há sempre o jeito contrário.
***
"A vida é bela e cruel, despida
tão desprevenida e exata que um
dia acaba ... (laia laia lalaiááá)."