sabe esse choro que não é de alegria, nem tristeza, nem nada?
quando os olhos estão só
cansados e cheios de água
(ou a alma inundada)
quando a gente não faz questão
de luz e deixa a lágrima
escorrer tranquila e amiga
querendo secar devagar
sem soluço, sem gosto, sem cheiro
sem nada que atormente
quando o que importa é respirar
e deixar esvair-se o miolo
abrir
outra porta
e outra
e outra
e procurar as plantas semi-mortas
para pintá-las com cores antigas e
caçar borboletas pretas para liberta-las
...
***