Ok. Eu me aproveito da sua varanda, e aí?
Vai ficar agora, encostado, fingindo que não gosta de me ver aqui enfeitando a rede?
Vai emburrar de me ver desenrolar novelos no seu peito sabendo que eu venho pelo espaço vazio?
E sem essa de ficar me encarando, ao invés de me encostar – não faz mesmo o seu gênero –, encerra os lábios e dá os olhos por cansados, jurando que não me ataca com a boca fechada. Outro obstáculo: vencer as coisas não ditas.
(e como as procuro sem querer, e caio sempre nos braços mais mudos, sisudos e machucados que se tem notícia; eu que grito por gosto e sofro tanto em jogos de mímica, em física, matemática, meditação e tudo mais que exija um número escasso de palavras.)
- E a solução, cadê?
Mas eu não vim aqui pra dizer! (nem sabia que se buscava uma...) Eu vim respirar essas flores e olhar de olhos muito abertos o céu, vim pelo tempo exposto, por um peito roxo de ausências; eu vim porque o domingo daqui é lindo e dias assim são bem-vindos.
Não tem x, a questão, nenhum fio precisa ser cortado, continua lindo o gramado e os cantos distantes, os pássaros, a água gelada... (não embaça a história) é bem essa a nossa vitória.
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